A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta revela um quadro de estagnação: 48% dos entrevistados dizem aprovar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra 47% que o desaprovam — diferença dentro da margem de erro, o que configura empate técnico. Na avaliação do mandato, os percentuais de percepção “positiva” e “negativa” também aparecem empatados em 36% cada, com 26% considerando o governo “regular” e 2% sem resposta. O levantamento foi realizado entre 31 de julho e 3 de agosto, com 2.004 pessoas, margem de erro de dois pontos percentuais e registro no TSE BR-06591/2026.

Além dos indicadores de aprovação, a pesquisa mostra um ambiente de opinião pública mais hostil: 44% dos entrevistados afirmam ter visto mais notícias negativas sobre o governo, ante 29% que dizem ter visto mais notícias positivas — 25% relatam não ter percebido notícias relevantes. Esse predomínio da percepção negativa ajuda a explicar a falta de avanço na avaliação presidencial e acende um alerta sobre a capacidade do governo de consolidar ganhos políticos a partir de medidas econômicas e sociais.

Os dados sobre medidas pontuais reforçam o problema de alcance. A nova regra de isenção do IRPF diz ter beneficiado 30% dos entrevistados, enquanto 68% afirmam não ter sido beneficiados; quanto ao efeito na renda, 46% relatam não ter sentido diferença, 32% apontam aumento pequeno e 21% dizem ter percebido aumento significativo. O programa Desenrola 2.0 recebeu avaliação positiva de 47% como boa ideia, mas 88% dos pesquisados não foram beneficiados: entre os que foram, 37% não sentiram diferença na renda, 35% tiveram impacto pequeno e 26% perceberam aumento significativo. Os números mostram, portanto, percepção de utilidade das políticas, mas alcance real restrito — situação que amplia desgaste político se não houver sinal claro de amplitude nos próximos meses.

No campo do emprego há uma dissociação entre estatística e percepção: apesar da taxa de desemprego em quedas históricas segundo o IBGE (em torno de 5,4%), 48% avaliam que está mais difícil conseguir trabalho do que há um ano, contra 41% que consideram mais fácil. Esse indicador melhorou em relação a julho, quando 55% apontavam maior dificuldade, mas ainda sinaliza fragilidades na conversão de resultados macro em sensação de melhoria no cotidiano. Em conjunto, os números configuram um retrato de estabilidade eleitoral frágil: aprovação ainda distante de robustez, políticas com alcance limitado e percepção pública majoritariamente negativa — elementos que podem complicar a narrativa governista rumo a 2026 e demandam resposta de comunicação e medidas com impacto mais palpável para amplos segmentos da população.