Uma pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta segunda-feira mostra que 68% dos brasileiros são favoráveis ao fim da escala de trabalho 6x1 — mas o suporte é fortemente condicionado à preservação dos salários. Quando a proposta é vinculada a uma redução remuneratória, o apoio despenca para 22% e a rejeição sobe a 70%, revelando que a renda é o determinante central na avaliação popular.

O levantamento, feito presencialmente com 2.004 pessoas entre 8 e 11 de maio (margem de erro de 2 pontos percentuais e nível de confiança de 95%), aponta maior adesão entre jovens (16 a 34 anos, 73%) e entre quem ganha até dois salários mínimos (72%). Grupos com menor escolaridade e mulheres também tendem a favorecer a mudança, enquanto parcela relevante de alta renda e moradores do Sul mostram maior resistência.

A divisão política acompanha o padrão geral, mas com diferenças: simpatizantes do ex-presidente Lula apresentam o índice mais alto de apoio (79%), enquanto eleitores de Jair Bolsonaro mostram postura mais reticente (54% a favor e 38% de rejeição). Entre independentes, o apoio fica em 68%. Os dados colocam em evidência um recorte eleitoral que será explorado nas negociações parlamentares.

No Congresso, a pauta ganhou ritmo: o presidente da Câmara, deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que há intenção de aprovar um texto convergente sobre a matéria ainda neste mês. O sinal de urgência parlamentar, porém, esbarra na contradição exposta pela pesquisa: popularidade da mudança não se traduz em disposição a abrir mão de renda, o que complica a costura entre deputados, empregadores e sindicatos.

A fotografia trazida pelo levantamento funciona como alerta prático para quem negocia o texto: garantir a manutenção salarial tende a ser condição sine qua non para convencer a opinião pública, mas também representa obstáculo econômico que pode frear a adesão de setores produtivos e ampliar o custo político da proposta. É um retrato do momento, não uma previsão; ainda assim, o resultado altera o mapa de riscos e incentivos da votação.