A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quinta-feira deixa claro um movimento político que acende alerta no palácio e na base aliada: Camilo Santana (PT) aparece numericamente mais competitivo que Elmano de Freitas (PT) em confrontos com Ciro Gomes (PSDB). Em um cenário com cinco pré-candidatos, Ciro lidera com 41% contra 32% de Elmano; já em simulação substituindo o governador por Camilo, o petista chega a 40% e ultrapassa Ciro, que soma 33%. O desempenho mais robusto de Camilo repete-se em outras combinações, e reforça que a disputa interna no PT pode ter custo eleitoral.

Os cenários mostram também que, contra Roberto Cláudio (União Brasil), Camilo amplia vantagem: alcança 49% no primeiro turno, ante 39% na simulação equivalente com Elmano. No segundo turno, a tendência se confirma: Camilo vence Ciro por 44% a 39%, enquanto Elmano perde por 46% a 35%. Frente a Roberto Cláudio, ambos os nomes do PT venceriam, mas Camilo chega a 58% contra 46% de Elmano. Os números não apenas explicam preferência momentânea, como implicam risco real para a estratégia de manutenção do governador como candidato natural do partido.

Outro sinal político relevante é a rejeição: Elmano lidera com 42%, seguido por Roberto Cláudio (39%), Camilo Santana (34%) e Ciro Gomes (33%). Além disso, o levantamento aponta alto índice de indecisos e possibilidade de mudança de voto, variável que pode alterar o quadro caso candidaturas se consolidem ou campanhas ganhem fôlego. A avaliação sobre o futuro do estado também interessa: 43% preferem um governador aliado de Lula, 34% optam por um nome independente e 18% por um aliado de Bolsonaro — dado que reforça a influência da agenda nacional nas escolhas locais.

Politicamente, a pesquisa complica a narrativa oficial do Palácio: a vantagem relatada de Camilo pressiona por uma definição no PT e por cálculos de aliados sobre quem tem mais capacidade de bater Ciro ou Roberto Cláudio. Para Elmano, a combinação de liderança em rejeição e desempenho frágil em simulações de segundo turno aponta para desgaste e necessidade de corregir a estratégia. A sondagem ouviu 1.002 eleitores entre 24 e 28 de abril, margem de erro de três pontos percentuais, e foi registrada na Justiça Eleitoral (protocolo CE-01725/2026). Em resumo: o mapa eleitoral do Ceará permanece volátil, e os números em mãos já exigem leitura e reação imediata dos atores envolvidos.