A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta (15/7) revela que o Caso Banco Master já desloca julgamentos eleitorais: 50% dos entrevistados apontam responsabilidade difusa — opção “todos eles” — quando perguntados sobre quem pesa no episódio. Entre respostas individuais, o clã Bolsonaro foi citado por 14% dos eleitores, o governo Lula por 8%, o STF e o Judiciário por 5% e o Banco Central por 4%. O levantamento, feito entre 10 e 13 de julho com 2.004 entrevistas presenciais, tem margem de erro de dois pontos e nível de confiança de 95%.

Os números sugerem sinais claros de desgaste e complicam narrativas políticas. Para 37% dos entrevistados, as investigações afetam “muito negativamente” a campanha de Lula, enquanto 25% veem impacto pequeno e 22% não identificam efeito. Essa dispersão indica que, embora o desgaste não seja uniforme, há um núcleo expressivo de eleitores que associa o caso a prejuízo eleitoral — um ponto de pressão em direção a ajustes de estratégia eleitoral e comunicação para 2026.

A avaliação sobre o senador citado nas apurações também mostra dano reputacional: 31% dos eleitores dizem estar bem informados sobre as investigações envolvendo o senador Jaques Wagner e o Banco Master, e 15% afirmam estar apenas cientes. Desses, 61% julgam que ele agiu de forma incorreta, enquanto 11% discordam. Além disso, o eleitorado está dividido quanto à natureza do episódio: 43% entendem como questão institucional vinculada ao governo, contra 35% que o veem como caso pessoal do parlamentar.

Do ponto de vista político e institucional, a pesquisa acende alerta. A prevalência da opção “todos eles” expõe desgaste sistêmico que não poupa oposição, governo e órgãos de fiscalização — o que pode ampliar pressão sobre aliados e obrigar respostas mais contundentes das instituições. Para o núcleo governista, os dados complicam a narrativa oficial e aumentam a necessidade de medidas que contenham perda de confiança; para a oposição, abrem espaço de contestação sem, contudo, consolidar um beneficiário único. Em ano eleitoral, esse tipo de percepção difusa tende a influenciar prioridades de campanha e alianças.