A pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (5/8) confirma uma leitura regionalizada do confronto no segundo turno. No Nordeste, Luiz Inácio Lula da Silva ampliou a vantagem sobre Flávio Bolsonaro, subindo de 57% para 64% da preferência, enquanto o senador recuou de 31% para 25%. No extremo oposto, no Sul, Flávio avançou de 46% para 56%, ao passo que Lula caiu de 33% para 29%. Em outras regiões — Sudeste e Norte/Centro-Oeste — o bolsonarista lidera numericamente, mas as diferenças ainda navegam perto da margem de erro.
Os números expõem um mapa eleitoral menos homogêneo e com implicações práticas para as campanhas. O desempenho de Lula no Nordeste reforça a dependência do PL em recuperar eleitorado local — tarefa que, nos bastidores, justificou a escolha de Alfredo Gaspar como vice, apontada como aceno regional. Já o crescimento de Flávio no Sul e sua retomada em segmentos como o Sudeste e Norte/Centro-Oeste indicam que o adversário não está confinado ao eleitorado tradicional do bolsonarismo, obrigando ambos os lados a rever prioridades de agenda, recursos e mensagens.
Os recortes por sexo, idade, escolaridade, renda e religião detalham onde cada candidatura precisa operar mais. Flávio voltou a liderar entre homens (44% a 40%) e cresceu entre eleitores com ensino médio e superior; também avançou entre votantes com renda acima de dois salários mínimos. Lula mantém vantagem entre mulheres (47% a 35%), entre os mais jovens (16–34, 44% a 38%), e entre eleitores com menor escolaridade e renda até dois salários mínimos. No quesito religião, os católicos favorecem Lula (49%), enquanto o apoio evangélico ao senador recuou, segundo a série, de 61% para 48%, com Lula subindo de 24% para 33%.
Para além dos percentuais, o levantamento acende alertas políticos: a consolidação no Nordeste dá a Lula margem para priorizar manutenção de base social e programas, enquanto o avanço de Flávio em áreas urbanas, entre independentes (de 27% para 30%) e em faixas de maior escolaridade reforça uma estratégia de expansão em eleitorados decisivos no Sul e Sudeste. Trata‑se de um retrato momentâneo, não de previsão; ainda assim, o mapa regional e os deslocamentos por segmentos sugerem que a disputa seguirá competitiva e exigirá ajustes táticos de ambas as campanhas.