A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira mostra um cenário apertado para 2026: em um eventual segundo turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 42% das intenções de voto ante 41% do senador Flávio Bolsonaro, empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais. O levantamento, realizado entre 8 e 11 de maio com 2.004 entrevistas, é o primeiro após a operação da Polícia Federal que atingiu o senador Ciro Nogueira (PP-PI), e entrega um retrato de momento em que a disputa parece mais competitiva do que nas últimas sondagens.

Além do confronto com Flávio, o instituto simulou cenários com outros nomes da oposição: Lula tem 44% contra 37% de Romeu Zema, 44% contra 35% de Ronaldo Caiado e 45% ante 28% de Renan Santos. No primeiro turno, o petista soma 39% contra 33% do senador. A comparação com abril mostra leve avanço para ambos os líderes (Lula de 37% para 39%; Flávio de 32% para 33%), mas o dado mais relevante é a alta parcela de eleitores que dizem ter decisão definitiva — 63% — o que reforça o caráter de retrato do momento, não uma previsão fechada.

O levantamento também traz sinais sobre avaliação do governo: a desaprovação recuou de 52% para 49%, enquanto a aprovação subiu de 43% para 46%. Felipe Nunes, CEO do instituto, destaca que o principal movimento ocorreu entre eleitores independentes, cujo saldo negativo caiu de -16 pontos em abril para -5 pontos agora. Essa recomposição entre os independentes reduz o custo imediato para o governo, mas não elimina riscos políticos, sobretudo considerando a diferença estreita em um eventual segundo turno.

Politicamente, o resultado acende um alerta para a base governista: empate técnico indica que qualquer desgaste — institucional, econômico ou relacionado a aliados — pode ter impacto direto no cenário eleitoral. Para a oposição, os números mostram que há espaço para consolidar voto anti‑PT, mas também expõem a necessidade de ampliar atratividade entre independentes e os ainda indecisos (37%). Em suma, a pesquisa reforça que 2026 permanece competitivo e que a eficácia de mensagens, gestão de crises e desempenho econômico serão determinantes no próximo ciclo.