O Instituto Genial/Quaest divulgou nesta quarta (5) pesquisa de intenção de voto para a Presidência com Lula na frente tanto no 1º quanto no 2º turno. No cenário de primeiro turno, o presidente marca 39% contra 30% de Flávio Bolsonaro. No confronto direto, Lula tem 44% e Flávio 39% — resultado que, embora favorável ao incumbente, permanece tecnicamente empatado pela margem de erro de dois pontos percentuais.

O levantamento detalha ainda a dispersão do eleitorado: Renan Santos e Ronaldo Caiado aparecem com 4% cada; Romeu Zema tem 2%; Cabo Daciolo, Augusto Cury e Samara Martins registram 1% cada. Indecisos somam 10% e brancos/nulos 8%. A firmeza da escolha aumentou: 69% dizem que a decisão é definitiva, ante 65% em julho, o que reduz espaço para oscilações, mas também eleva o valor do eleitor já conquistado.

Os dados por segmentos deixam clara a fragmentação geográfica e social do pleito. Lula supera 50% no Nordeste, entre pretos e beneficiários do Bolsa Família até dois salários, e lidera entre mulheres (47% a 35%). Flávio domina o Sul (56% a 29%) e tem vantagem entre evangélicos, brancos, eleitorado de ensino superior e renda mais alta; entre homens aparece à frente por pequena margem. As taxas de rejeição são altas para ambos: entre os que conhecem Lula, 45% votariam e 52% não; para Flávio, 41% votariam e 54% não. Na pergunta sobre o que mais preocupa, 41% citaram a reeleição de Lula e 44% temem o retorno da família Bolsonaro.

Do ponto de vista político, o retrato é de liderança vulnerável e de um adversário em capacidade de avanço. A estabilização de Lula em patamar próximo ao verificado em julho, combinada com a subida de Flávio dentro da margem de erro, obriga a campanha governista a buscar ampliação de base além dos segmentos já sólidos. Para Flávio, o desafio é nacionalizar o eleitorado: os percentuais no Sul e entre elites mostram consistência regional, mas a rejeição limita um crescimento fácil em outras regiões e camadas sociais.

A pesquisa é um retrato do momento, não uma previsão. Foi realizada entre 31 de julho e 3 de agosto, com 2.004 entrevistas domiciliares a brasileiros a partir de 16 anos; margem de erro de dois pontos percentuais e registro no TSE BR-06591/2026. Com dois meses para votar e percentuais de decisão em alta, as próximas semanas serão decisivas para testar a capacidade dos campos de reduzir rejeições, ampliar palanques e converter firmeza em votos válidos.