Levantamento da Genial/Quaest divulgado nesta quinta-feira revela que a maioria dos brasileiros responsabiliza o senador Flávio Bolsonaro pelo agravamento da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. Segundo a pesquisa, 51% consideram mais convincente a versão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que Flávio teria pedido a adoção de sanções, enquanto apenas 30% acreditam na explicação do próprio senador — uma queda em relação a junho, quando 35% apoiavam sua narrativa.
O estudo, encomendado pela Genial Investimentos e realizado entre 10 e 13 de julho de 2026, ouviu 2.004 pessoas em entrevistas presenciais e tem margem de erro de dois pontos percentuais (registro TSE BR-07181/2026). Além da disputa de versões, a pesquisa mostrou que 49% entendem as tarifas americanas como retaliação ao Pix (posição alinhada ao governo), contra 33% que atribuem a medida a declarações de Lula; a percepção de impacto econômico aumentou: 63% dizem que as novas tarifas vão prejudicar suas famílias, ante 55% em junho.
Os dados apontam ainda para desgaste na imagem de Flávio: 57% dos entrevistados disseram desconhecer a viagem do senador aos EUA para tratar do tema; entre os informados, 58% acreditam que ele não terá capacidade de convencer o governo americano a rever as tarifas. Para um pré-candidato à Presidência, esses indicadores representam tanto perda de capital político quanto limitação prática da influência externa que a narrativa pública atribui a ele.
Politicamente, a pesquisa acende um sinal de alerta para o entorno bolsonarista. O aumento do apoio à versão de Lula e a percepção ampla de prejuízo econômico criam custo político concreto para Flávio e para o PL, complicando mensagens de defesa e exigindo reação estratégica. No plano econômico, a ampliação do receio entre a população pode intensificar pressão sobre o governo e o Congresso por medidas de mitigação — e transforma a disputa comercial em problema com custo eleitoral e real impacto na vida das famílias.