A última rodada da Genial/Quaest, feita na última semana de julho, redesenha o mapa regional da disputa presidencial: enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mantém vantagem confortável em parte do Nordeste, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece em posições competitivas em colégios eleitorais do Sul e do Sudeste, e Ronaldo Caiado (PSD) lidera em Goiás. Os levantamentos foram realizados presencialmente em diferentes estados, com amostras por volta de mil eleitores por unidade e registros na Justiça Eleitoral.
Na Bahia, o levantamento indica que Lula amplia a vantagem e aparece isolado na liderança, com 52% das intenções de voto; Flávio surge em segundo com 18% e 13% dos entrevistados estão indefinidos. As simulações de segundo turno mantêm vantagem confortável para o presidente: contra Flávio, Lula marca 56% a 23%; diante de outros adversários testados, o petista alcança cerca de 57%, ao passo que rivais oscilam entre 13% e 16%. A pesquisa da Bahia está registrada sob os protocolos BR-05856/2026 e BA-02331/2026; as entrevistas ocorreram entre 23 e 27 de julho, com 1.200 entrevistas.
No Ceará, o quadro repete a robustez de Lula na região: o presidente supera metade das intenções, com 55%, ante 22% de Flávio, e vence todos os cenários de segundo turno testados com cerca de 60% das intenções. A pesquisa do estado está registrada sob BR-03238/2026 e ouviu 1.002 eleitores entre 24 e 28 de julho. Já em Goiás o mapa é distinto: o ex-governador Ronaldo Caiado lidera a preferência local, e em projeção de segundo turno Caiado venceria Lula por 67% a 23%. Em um eventual Lula x Flávio no estado, o senador do PL aparece à frente, com 47% contra 35% do presidente. O levantamento em Goiás foi registrado sob BR-08063/2026 e GO-01701/2026, com 1.104 entrevistas em 54 municípios entre 24 e 28 de julho.
Em outros pontos do país, como Minas Gerais, a pesquisa aponta disputa mais equilibrada: há indicação de empate técnico entre os principais nomes, o que reforça o caráter regionalizado da corrida. O retrato que emerge é de um eleitorado dividido entre redutos consolidados — Nordeste para Lula e bolsões de competitividade para Flávio no Sul-Sudeste — e estados onde candidatos locais ou empates técnicos tornam a disputa mais imprevisível.
O diagnóstico é político: a consolidação no Nordeste dá sustentação ao projeto de reeleição do presidente, mas as dificuldades de penetração fora dessa base aumentam a pressão sobre a coordenação da campanha. Para a oposição, a competitividade no Sul e Sudeste e o desempenho de lideranças locais como Caiado mostram caminhos viáveis para desconstruir a narrativa de hegemonia petista. Em termos práticos, os números acendem alerta sobre a necessidade de realinhamento estratégico, maior foco em teses regionais e alocação de recursos em estados de corte, onde a disputa continua aberta.