A pesquisa Genial/Quest divulgada nesta quarta-feira mostra um quadro de equilíbrio na avaliação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva: 47% dos entrevistados dizem aprovar a gestão e 48% a desaprovam. É uma leve melhora na aprovação — avanço de um ponto em relação ao levantamento de maio — e marca o melhor índice desde fevereiro, quando o indicador chegava a 45%. O resultado, dentro da margem de erro de 2 pontos, indica um empate técnico e um cenário ainda instável.
O levantamento expõe clivagens sociais e regionais que ajudam a explicar a pulverização do apoio: entre eleitores de menor renda, a aprovação sobe para 59%, enquanto entre os de renda mais alta cai para 35%. Os beneficiários do Bolsa Família aparecem como o núcleo mais fiel ao governo, com 69% de aprovação. Por faixa etária e gênero, há diferenças: idosos aprovam mais (51%) e jovens entre 16 e 34 anos aprovam menos (43%); mulheres aprovam em maior proporção (49%) e homens desaprovam (53%). No campo religioso, os católicos demonstram maior respaldo (60% aprovam), enquanto 58% dos evangélicos desaprovam.
A geografia política é igualmente reveladora. O Nordeste é a única região com aprovação majoritária (61% a 34%), contrapondo-se ao Sudeste, onde a reprovação supera a aprovação por 51% a 43%. No Sul, a rejeição é mais intensa (63% desaprovam contra 33% que aprovam). Centro-Oeste e Norte registram equilíbrio desfavorável ao governo, com 50% de reprovação e 44% de aprovação. Na escolaridade, a aprovação é mais forte entre quem tem ensino fundamental (60%) e decresce até o eleitor com ensino superior, onde a reprovação chega a 53%.
Politicamente, o quadro é um retrato de consolidação parcial: o governo mantém bases sólidas entre os mais pobres e no Nordeste, mas enfrenta resistência em segmentos socioeconômicos e geográficos cruciais para ampliar a maioria. A pesquisa acende um sinal de alerta para a estratégia governista: ampliar adesões além do núcleo tradicional exigirá respostas políticas e comunicacionais que reduzam rejeição entre evangélicos, eleitores mais escolarizados, residentes do Sul e de renda mais alta. O levantamento foi realizado entre 5 e 8 de junho de 2026 com 2.004 entrevistados; é retrato do momento, não previsão.