O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, acusou nesta segunda-feira (28/9) o colega André Mendonça de conferir um viés eleitoral à condução das investigações relacionadas ao caso Banco Master. No julgamento que discute as apurações sobre o banqueiro Daniel Vorcaro e potenciais implicações entre integrantes da Corte, Gilmar afirmou que mensagens e informações que serviram de base para o novo relatório já haviam circulado na imprensa meses antes e que a Polícia Federal havia enviado a Mendonça um documento detalhando esse vazamento ainda em abril.
Para o decano, a decisão de mandar produzir um novo relatório quando o país se aproximava do período eleitoral e de torná-lo público antes do exame do Plenário teve efeito político evidente: antecipar a exposição de nomes e criar pressão sobre os demais ministros. Gilmar criticou a retirada do sigilo do material antes de o tribunal deliberar sobre a controvérsia, avaliando que a medida serviu para constranger colegiado e influenciar a repercussão pública a favor de uma narrativa já escolhida pelo relator.
Outra reclamação central diz respeito à concentração dos dados apreendidos: parte das informações capazes de atingir integrantes do Supremo permaneceu sob o controle de um único gabinete, o que, segundo Gilmar, gera assimetria entre os pares e risco à independência do julgamento. O ministro também apontou tratamento desigual no exame do material — grande esforço probatório para referências a um magistrado e menor atenção quando se tratou de outros — e advertiu que garantias fundamentais não podem variar conforme a identidade do investigado.
O confronto entre ministros põe em evidência consequências políticas e institucionais imediatas. A acusação de politização complica a narrativa oficial sobre neutralidade das apurações, amplia desgaste em torno da Corte e da própria Polícia Federal, e deve aumentar o escrutínio público e parlamentar sobre procedimentos internos. O desfecho do julgamento no Plenário não será apenas jurídico: servirá também como indicador de até que ponto o Supremo consegue preservar sua autoridade e sua capacidade de deliberar sem pressões externas ou assimetrias internas.