O decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, informou em ofício que os dados brutos extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro só foram disponibilizados aos demais integrantes do Colegiado na tarde de 14 de setembro — um dia antes do julgamento que tratou das apurações envolvendo o banco e ministros. Segundo o documento, o material estava sob a guarda do relator, ministro André Mendonça, havia meses.
Gilmar afirma que o acesso não ocorreu de forma imediata e que houve "resistência inicialmente manifestada" por parte do relator, o que exigiu "sucessivos ofícios" para a liberação da íntegra do conteúdo. A versão do decano sugere que colegas precisaram cobrar reiteradamente a disponibilização de elementos já sob responsabilidade do relator, reduzindo o tempo para análise colegiada antes da sessão.
O episódio tem implicações institucionais: a liberação tardia expõe contradição entre a necessidade de tramitação célere de processos sensíveis e a prática interna de preservação exclusiva de provas pelo relator. Jornalisticamente, o relato de Gilmar amplia o desgaste do tribunal num momento em que transparência e padrões procedimentais são exigidos por atores políticos e pela opinião pública, sem que haja, no ofício, indicação de má-fé concreta.
Mais do que uma disputa interna, o caso do Banco Master passa a ser barômetro da capacidade do STF de aprimorar regras sobre manejo de provas e compartilhamento entre ministros. O ofício do decano formaliza uma cobrança que agora pressiona por explicações e por ajustes processuais que reduzam margem para novos constrangimentos ao Colegiado.