O decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, publicou nesta quinta-feira nota pública nas redes sociais em homenagem aos 95 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na mensagem, acompanhada de artigo assinado por Pedro Malan, Mendes recupera o papel do Plano Real e das reformas da década de 1990 como referência para a superação de crises econômicas.
O texto lembra passos cruciais daquele período: a chegada de FHC ao Ministério da Fazenda em 1993, o Programa de Ação Imediata voltado ao equilíbrio fiscal, a Unidade Real de Valor como transição monetária e, finalmente, o nascimento do Real. Foram citadas em seguida medidas estruturais posteriores, como a Lei de Responsabilidade Fiscal e a legislação que permitiu o refinanciamento das dívidas estaduais — além de um amplo pacote de privatizações e a criação de agências reguladoras.
Gilmar Mendes também ressalta avanços sociais e administrativos ligados ao ciclo: programas de transferência de renda que precederam o Bolsa Família, fortalecimento do SUS, regulação de genéricos, políticas contra o HIV/AIDS e avanços na educação. O ministro valoriza, ainda, a composição de um ministério com nomes técnicos como Pedro Malan, Armínio Fraga e outros, que ajudaram a conduzir as reformas.
Politicamente, a iniciativa do decano funciona como uma reafirmação pública da centralidade da responsabilidade fiscal e da modernização do Estado no diagnóstico sobre a economia brasileira. Em um momento de incerteza, a evocação das reformas dos anos 1990 reapresenta um roteiro de referência — ao mesmo tempo em que reabre o debate sobre limites e custos das soluções adotadas naquele ciclo.