O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes reafirmou nesta quinta-feira críticas duras ao relatório da CPI do Crime Organizado durante entrevista ao programa CB.Poder. Mendes afirmou que a comissão, criada para investigar a atuação de facções e a crise de segurança pública no Rio de Janeiro, acabou se desviando do objeto original ao propor indiciamentos de autoridades, entre elas ministros do STF.

A reação tomou forma institucional: Mendes representou à Procuradoria-Geral da República contra o relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB), após o relatório sugerir indiciamentos que atingem ministros como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Para o ministro, a medida não é um agravamento entre Poderes, mas uma resposta diante do que chamou de 'desvio de finalidade'.

Isso é ruim, isso é abuso de poder na veia e isso precisa ser punido

Além da crítica ao conteúdo do relatório, Mendes apontou problemas de procedimento na comissão, incluindo a divulgação de informações que, segundo ele, deveriam permanecer sigilosas. O ministro classificou vazamentos e exposições públicas de dados sensíveis como episódios que prejudicam o ambiente institucional e defendem apuração e punição dos excessos.

A declaração ocorre em momento de tensão institucional e tem potencial para ampliar desgaste político em torno da CPI e de seus responsáveis. Mendes lembrou que o Congresso já debate revisão de regras sobre quebra de sigilo, especialmente para dados bancários e comunicações, sinalizando que o episódio pode gerar mudanças práticas nas normas de investigação parlamentar e trazer impactos sobre a relação entre Legislativo e Judiciário.