O decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, saiu em defesa pública do procurador‑geral da República, Paulo Gonet, em postagem feita nas redes sociais na quinta‑feira (17/9). Mendes ressaltou a reputação ilibada do chefe do Ministério Público e reclamou do efeito devastador provocado pelo levantamento de sigilos: segundo o ministro, manchetes formadas a partir de conversas tornadas públicas produziram dano à honra que não se desfaz com correções tardias no plenário.
Sem citar nominalmente o relator do caso Banco Master, Gilmar criticou a decisão de expor informações já reconhecidas como não ilícitas e advertiu para a óbvia motivação política do gesto quando o próprio relator afirmou a lisura da conduta e, em seguida, publicou vídeo agradecendo apoio popular. Para o decano, essa sequência transforma ato judicial em peça de campanha e compromete a imagem de imparcialidade exigida de um magistrado.
O ministro ainda traçou paralelo com práticas observadas na fase mais midiática da Lava Jato, citando o uso de vazamentos seletivos para construir fatos consumados antes do processo penal e colher dividendos políticos. Mendes afirmou que a estratégia — que costuma aparecer em momentos eleitorais — esvazia o direito de defesa e mina a presunção de inocência, criando um ambiente em que a opinião pública já cumpriu o papel que cabe ao juiz.
A fala de Gilmar amplia desgaste institucional: além de reforçar tensão entre ministros do STF, acende alerta sobre o uso de revelações como instrumento político e coloca em xeque a credibilidade de procedimentos sigilosos. A crítica pública ao episódio do Master e a defesa de Gonet destacam a necessidade de regras mais claras sobre sigilos e responsabilização por vazamentos, sob risco de aprofundar a politização do Judiciário e reduzir a confiança dos cidadãos nas instituições.