O decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, deu nesta semana um respaldo público à indicação de Jorge Messias, atual advogado‑geral da União, numa postagem que ressaltou a experiência administrativa do indicado e criticou avaliações consideradas superficiais sobre seu currículo. A manifestação do ministro teve grande eco político justamente quando a tramitação no Congresso entra na reta decisiva.

Gilmar citou o papel da Advocacia‑Geral da União em litígios estratégicos — da defesa da soberania em disputas comerciais até casos envolvendo grandes plataformas digitais — como elementos que atestariam preparo técnico e senso institucional de Messias. A defesa explícita de um integrante do STF sobre um nome em sabatina é rara e, no cenário político, foi lida como um gesto de peso.

Faltando pouco mais de duas semanas para a sabatina na Comissão de Constituição e Justiça, marcada para 29 de abril, a fala chega em um momento de articulação intensa. O relator, senador Weverton Rocha, informou que apresentará o relatório e que a previsão é de votação na mesma data da sabatina. Messias, segundo relatos, intensificou visitas a parlamentares — cerca de 70 encontros — na busca dos 41 votos necessários em plenário.

O efeito prático do apoio de Gilmar é ambivalente: ao mesmo tempo em que oferece um selo institucional que pode reduzir resistências entre senadores independentes, também reforça a dimensão política do processo, sujeita a interpretações nos bastidores. A indicação enfrenta divisões internas que retardaram o envio ao Congresso, e, apesar do clima apontado pelo relator como favorável, a aprovação ainda depende da capacidade de construir maioria no plenário.