O ministro Gilmar Mendes avaliou, em evento em Brasília, que a defesa do impeachment de integrantes do Supremo Tribunal Federal tem sido usada sobretudo como bandeira eleitoral por candidaturas de direita. Segundo o decano, o apelo entre parte do eleitorado não se traduz automaticamente em capacidade de levar um processo adiante: há uma distância considerável entre o gesto de campanha e a ação institucional necessária para abrir um impeachment.

Mendes apontou obstáculos tanto no funcionamento das instituições quanto na dinâmica do Senado, que podem afastar a matéria do roteiro simplista adotado por alguns concorrentes. A crítica ao Judiciário tem aparecido lado a lado com propostas mais amplas — da restrição a decisões monocráticas a mudanças como quarentena para ministros e fim do foro — mas transformar essas mensagens em medidas concretas esbarra em procedimentos, quóruns e na necessidade de articulação política.

A lista de candidatos que incorporou o tema não é restrita: nomes como Gustavo Gayer, Oseías Varão, Bia Kicis, José Medeiros e Capitão Contar colocaram o impeachment no centro de suas campanhas. Presidenciáveis e parlamentares que fazem da crítica ao STF uma peça central podem ver a estratégia expor desgaste: caso não consigam avançar, arriscam frustração do eleitorado, perda de capital político e aumento da polarização sem entregas institucionais.

Ao mesmo tempo, a advertência de Gilmar serve como sinal para aliados e adversários: a defesa pública do impeachment acende alerta sobre custos e consequências políticas, mas não garante efeito prático. O ministro também disse não estar preocupado com suposta interferência externa nas eleições de 2026 e reforçou o papel da Justiça Eleitoral na preservação da confiança no sistema de votação eletrônico.