Em entrevista à TV Bandeirantes, o ministro e decano do Supremo Tribunal Federal contestou a ideia de uma crise interna na Corte. Longe de alimentar o clima de tensão que circula entre setores políticos e sociedade, destacou que prefere um olhar otimista sobre o funcionamento do tribunal e defendeu a experiência acumulada como requisito para quem chega ao STF.
Segundo o ministro, a percepção de instabilidade está mais ligada a falhas na gestão processual do que a conflitos institucionais entre ministros. Citou como exemplo decisões eleitorais tardias, como a que tornou o governador do Rio inelegível, e disse que atrasos no julgamento geraram debates desnecessários sobre sucessão e eleições diretas ou indiretas.
Gilmar também abordou casos de maior repercussão — incluindo investigações em torno do Banco Master — e relativizou a proximidade de investigados com integrantes do Judiciário. Reconheceu que eventuais falhas existem, mas rejeitou a transformação desses episódios na narrativa de uma grande crise republicana, destacando as contribuições institucionais do Supremo.
A defesa de uma visão contida procura reduzir o desgaste público, mas o recado do ministro não elimina riscos políticos: atrasos em processos sensíveis ao calendário eleitoral acende alerta sobre eficiência e transparência dos tribunais superiores. Para aliados e críticos, a saída passa por ajustes na gestão processual do TSE e por maior capacidade do Judiciário em dar respostas rápidas sem perder rigor.