O ministro Gilmar Mendes pediu nesta sexta-feira (11/9) ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, que a íntegra dos dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, seja disponibilizada a todos os ministros. O ofício reforça solicitação apresentada no mesmo dia por Cristiano Zanin e soma-se ao pedido de Alexandre de Moraes de acesso ao conteúdo de um iPhone 17 Pro apreendido pela Polícia Federal.

No documento, Gilmar recomendou que, caso o gabinete do relator não forneça o material, Fachin requisitasse diretamente as informações à Polícia Federal por meio da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (CINQ/PF), argumentando que o conteúdo está sob custódia da PF no exercício de atividade de polícia judiciária.

O movimento ocorre após o ministro manifestar "sérias dúvidas" sobre a possibilidade de julgamento imediato da Petição 16.662 — que envolve Alexandre de Moraes e André Mendonça — e sugerir que Fachin concentre sob sua condução os procedimentos relacionados ao caso. Gilmar descreveu a petição como processualmente amorfa, o que, na sua avaliação, dificulta saber com precisão o que será levado ao plenário.

A insistência por acesso integral eleva a pressão por transparência e expõe uma tensão institucional: além de questionar o rito do processo, amplia o debate sobre quem tem acesso a provas sob custódia da PF. Fachin terá de decidir rapidamente; sua posição pode definir se a sessão de terça-feira (15/9) vira um julgamento sobre mérito ou uma disputa sobre o rito e o alcance das medidas, com repercussões políticas e institucionais para o tribunal.