O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, publicou pedido de desculpas após empregar a homossexualidade como exemplo ao justificar a proposta de incluir o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, no inquérito das fake news. A afirmação ocorreu no contexto de defesa da investigação sobre ataques a magistrados e foi reconhecida por Mendes como um equívoco em mensagem na rede social X.
O choque entre os dois escalou depois que Zema divulgou nas redes um vídeo com fantoches que satirizavam ministros e tratavam do caso do Banco Master. A reação do decano levou-o a solicitar ao relator do inquérito, Alexandre de Moraes, que avaliasse a inclusão do nome do ex-governador no processo. A controvérsia colocou em primeiro plano a tensão entre críticas públicas a ministros e medidas institucionais de resposta.
Além do pedido de desculpas, Mendes reafirmou a intenção de enfrentar o que chamou de indústria de difamação contra o STF. Ainda assim, o uso de um exemplo que associa orientação sexual a potencial ofensa expõe contradição na retórica de alguém que ocupa a posição de decano, e pode ampliar desgaste político em um momento de sensibilidade sobre liberdade de expressão e limites do debate público.
A repercussão segue dupla: por um lado, o recuo público busca conter a crítica; por outro, fornece material para opositores e amplia o debate sobre a conveniência de ministros adotarem linguagem que possa ser percebida como estigmatizante. O episódio acende dúvidas sobre custos institucionais e sobre o peso político das escolhas retóricas de integrantes do Supremo.