O decano do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes, protocolou ofício à Procuradoria-Geral da República pedindo que seja aberta investigação contra o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Na peça enviada à PGR, Gilmar sustenta que o relatório final da comissão tentou converter formulações jurídicas ambíguas em base para indiciamentos de ministros do STF, ultrapassando, assim, as competências do colegiado.
O parecer da CPI apontou à Câmara pedidos de indiciamento envolvendo, entre outros, os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, além de criticar decisões da Corte no curso das apurações. A proposta também trouxe sugestões legislativas amplas — como a criação de um Ministério da Segurança Pública e nova intervenção federal no Rio — e tratou de casos concretos ligados ao Banco Master e ao banqueiro Daniel Vorcaro.
O relatório foi rejeitado pelo plenário da comissão por 6 votos a 4, após mudanças na composição e orientação do Palácio do Planalto para que o parecer não fosse aprovado. A medida de Gilmar leva a disputa institucional para a esfera criminal e eleva o conflito entre a CPI e o STF a um novo patamar, com riscos de judicialização ampliada do caso.
Politicamente, o pedido de investigação funciona como resposta institucional e sinal de alerta: pode proteger membros da Corte, pressionar o relator e marcar um momento de escalada entre Poderes. Resta agora à PGR decidir se abre investigação e como equilibrar a apuração sem transformar uma disputa política em conflito institucional de longo prazo.