O ministro Gilmar Mendes encaminhou ao colega Alexandre de Moraes uma notícia‑crime solicitando a inclusão do ex‑governador Romeu Zema no inquérito sobre fake news. A petição aponta para um vídeo divulgado por Zema que, segundo Mendes, recorreu a recursos de edição e técnicas de inteligência artificial para simular vozes de ministros do Supremo.

Mendes afirma que a peça — em que bonecos reproduzem um diálogo entre ele e Dias Toffoli — pretende vulnerar a imagem da Corte e promover o autor da publicação. O ministro também destaca a menção a um resort ligado a negócios envolvendo Toffoli e a circulação ampla do conteúdo, cuja repercussão ultrapassou as redes sociais e chegou a veículos de imprensa.

O relator do inquérito, Alexandre de Moraes, enviou a manifestação à Procuradoria‑Geral da República, que ainda não se manifestou sobre o pedido. Nas redes, Zema tem ampliado as críticas ao STF — chegando a pedir impeachment e a afirmar posições duras contra ministros — e reúne grande alcance: perfis com milhões de seguidores, segundo a peça de Mendes.

Além do aspecto jurídico, o episódio ganha viés político: a iniciativa de Gilmar evidencia desgaste na relação entre o ex‑governador e a Corte e expõe uma contradição identificada pelo próprio ministro, que lembra o uso frequente do tribunal por gestões públicas quando convinha ao interesse fiscal. O encaminhamento à PGR pode elevar a pressão sobre Zema e torna o caso mais um teste para a defesa da integridade institucional diante do uso de deepfakes na disputa política.