O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes usou suas redes sociais neste domingo para transformar o escândalo do Banco Master em apelo por “reformas profundas” nas instituições brasileiras. Ao sublinhar que o episódio ultrapassa a seara judicial, Mendes disse ver na crise uma oportunidade — nas palavras dele, um momento imprevisto que deverá ser aproveitado para corrigir práticas que comprometem a credibilidade dos tribunais e do sistema financeiro.
Na postagem, o ministro detalhou elementos do esquema: o uso de precatórios do setor sucroalcooleiro para aquisição de créditos judiciais e a influência de decisões de tribunais no desenho das operações investigadas. Mendes lembrou que o assunto já chegou ao plenário do STF no contexto do julgamento sobre indenizações ao setor, cujo montante pleiteado pode chegar a R$ 103,4 bilhões. Ele também destacou medidas recentes do CNJ, como o cancelamento de 16 precatórios expedidos pelo TRF‑1 e a determinação de devolução de cerca de R$ 4 bilhões aos cofres públicos.
A partir desses fatos, o ministro cobrou ação mais ampla: propôs uma correição extraordinária em todos os tribunais regionais federais — com ênfase no TRF‑1 — para rastrear irregularidades na fila de pagamentos; pediu reforço à fiscalização da Comissão de Valores Mobiliários e do Banco Central; e defendeu a abertura de investigações criminais sobre possível envolvimento de magistrados e advogados. Mendes também afirmou que o “endereço” do caso não é apenas o Judiciário, mas atinge a Faria Lima, em referência ao mercado financeiro, e convocou MPF, OAB e o Conselho da Justiça Federal a atuarem em suas respectivas esferas.
A fala do ministro ocorre em paralelo a um quadro de desgaste público do STF: pesquisa Datafolha divulgada no sábado aponta que 47% dos brasileiros avaliam negativamente a atuação dos ministros, índice mais alto desde 2019. Politicamente, o caso Master amplia o desgaste da Corte e acende alerta sobre perda de confiança nas instituições responsáveis por investigar e julgar. A recomendação de Mendes por correições, maior fiscalização e apurações coordenadas traça um roteiro institucional para tentar recuperar credibilidade — mas também pressiona por respostas rápidas e transparentes, sob risco de o episódio resultar em custo político e institucional prolongado.