O decano do Supremo, Gilmar Mendes, apresentou pedido de vista sobre a decisão que afastou Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal e sustentou que a matéria deve ser examinada pelo Plenário. Na fundamentação, o ministro advertiu que a medida individual pode produzir efeitos que extrapolam o caso concreto e afetar o equilíbrio da disputa político-eleitoral.

Gilmar invocou precedente do próprio tribunal (ADPF 1.017/AL) que veda decisões judiciais capazes de gerar desequilíbrio em períodos eleitorais. Para o ministro, o fato de a cautelar ter partido de um pedido formulado por partido político impõe cautela adicional diante das regras do sistema acusatório e do impacto institucional de afastar a cúpula da PF.

O ministro também questionou a competência da Segunda Turma para decidir a questão e assinalou o risco de decisões conflitantes caso o tema tramite separadamente do Plenário. Mendes criticou ainda a inclusão do processo na sessão virtual com menos de uma hora de antecedência, argumento que aponta para falta de tempo hábil para análise aprofundada.

No momento, o caso tramita em procedimento unificado na Presidência do STF. Andrei Rodrigues, a PGR e o ministro Alexandre de Moraes têm prazo comum para manifestações. Além da discussão jurídica, o pedido de vista de Gilmar acende alerta político: a questão expõe tensão entre segurança jurídica e impacto eleitoral, e amplia o desafio de o tribunal dar resposta clara e colegiada.