O presidente da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, pediu vista e suspendeu nesta sexta-feira (22/5) o julgamento sobre a manutenção da prisão preventiva de Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro. A interrupção ocorreu logo após o voto do relator André Mendonça, favorável à continuidade da custódia, e pode postergar a decisão por até 90 dias.
No voto, Mendonça converteu a prisão temporária em preventiva com base em relatórios da Polícia Federal e do Coaf que apontaram periculum libertatis. O relator citou risco de fuga — incluindo relato de que Felipe teria deixado um condomínio em Trancoso em um carrinho de golfe pouco antes da chegada dos agentes — e seu papel como operador, assumido após a prisão de Daniel, como elementos que justificariam a manutenção da prisão para evitar reiteração delitiva.
As apurações que motivaram as prisões integram a Operação Compliance Zero e trazem números relevantes: relatórios do Coaf citam fluxos que somariam cerca de R$ 18,4 bilhões entre 2019 e 2026. Investigações também apontam operações atípicas, como a constituição da Infrasolar Holding Ltda. com capital reduzido e movimentação de R$ 132 milhões dias depois, além de transações que teriam envolvido repasses associados a figuras públicas, entre elas menções a relações com o senador Ciro Nogueira.
Além do adiamento provocado pelo pedido de vista, o caso enfrenta fatores que limitam decisões imediatas na turma: Dias Toffoli se declarou suspeito e não participa dos julgamentos relacionados ao Master, e Gilmar Mendes também pediu vista em processo correlato que envolve Henrique Vorcaro. A paralisação amplia o debate jurídico, mas atrasa a definição sobre medidas cautelares e mantém no centro do noticiário um caso que mescla suspeitas financeiras de grande escala e repercussão política.