O ministro Gilmar Mendes apresentou uma proposta para que delegados da Polícia Federal deixem de atuar diretamente nos gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal. A iniciativa, revelada pela Folha de S.Paulo e confirmada por interlocutores do STF ao Correio, reacende o debate sobre a relação entre magistrados e equipes policiais nas investigações que tramitam na Corte.
Segundo as fontes ouvidas, a medida não implica, neste momento, em uma retirada imediata dos delegados, mas quer formalizar limites à interlocução entre gabinetes e a Polícia Federal. O movimento surge em meio às discussões internas motivadas por procedimentos que correm perante o tribunal, entre eles o caso do Banco Master, e pretende revisar a dinâmica de apoio técnico e investigativo prestado por agentes da PF.
A proposta tem potencial para alterar a rotina de apuração nos processos sob supervisão do Supremo. Ao reduzir a presença de delegados nos gabinetes, muda-se a forma como a Corte se articula com a Polícia Federal, o que pode afetar velocidade, coordenação e a percepção pública sobre independência institucional. O tema também expõe uma questão política: até que ponto a proximidade entre ministros e autoridades investigativas é aceitável sem comprometer a imagem de imparcialidade do Judiciário?
A proposta ainda terá de ser debatida internamente no STF. Além de uma decisão técnica, trata-se de uma sinalização institucional: impõe a necessidade de regras mais claras sobre interlocução entre poderes e pode influenciar como investigações sensíveis serão conduzidas no futuro. Para integrantes da Corte e da PF, a negociação deverá pesar custos operacionais e riscos reputacionais.