O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes rebateu publicamente as declarações do governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência, Romeu Zema, que na segunda-feira (13/4), em evento na Associação Comercial de São Paulo, afirmou que ministros da Corte merecem impeachment e chegou a pedir prisão para alguns deles. A reação de Mendes, publicada nas suas redes, destacou a contradição entre o tom dos ataques e a prática administrativa do governo mineiro.

Mendes lembrou que a própria gestão de Zema recorreu ao STF para obter decisões que adiaram, por meses, o pagamento de parcelas da dívida com a União. Segundo o ministro, há processos em tramitação no Ministério da Fazenda que registram pedidos reiterados do estado ao tribunal para suspender obrigações bilionárias. Na avaliação do magistrado, essas providências foram decisivas para evitar um desarranjo fiscal que comprometeria a continuidade de serviços públicos essenciais.

Mais além da crítica factual, Mendes acusou um uso 'utilitarista' da Corte: quando as decisões beneficiam a administração pública, o tribunal é acionado; quando contrariam interesses políticos, vira alvo de ataques que reduzem o debate a chavões sobre 'ativismo judicial'. Para o ministro, esse comportamento corrói a legitimidade das instituições e empobrece a discussão sobre os limites entre política e Judiciário.

O episódio traz implicações políticas claras para Zema: a divergência entre ação administrativa e retórica pública expõe o pré-candidato a contestações sobre coerência e cálculo eleitoral. Ao transformar o STF em tema de campanha com acusações contundentes, Zema pode mobilizar eleitores indignados, mas também abre espaço para críticas sobre volatilidade política e pragmatismo instrumental. A troca de farpas deixa, acima de tudo, um terreno institucional mais tenso e um debate público menos focado em soluções fiscais e administrativas.