O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal, encaminhou ofício ao presidente da Corte, Edson Fachin, pedindo que a sessão marcada para 15 de setembro seja adiada e que os procedimentos envolvendo Alexandre de Moraes e André Mendonça sejam reunidos sob uma única condução. No documento, Gilmar registra preocupações sobre o estado atual da Petição 16.662, que, segundo ele, não apresenta um objeto processual claramente delimitado.
O núcleo do argumento é técnico: a petição foi formada a partir de informações da Polícia Federal requisitadas pelo relator, sem representação formal da autoridade policial, e a Procuradoria-Geral da República já sustentou a nulidade do relatório da PF. Para o decano, não há sequer um pedido definido a ser decidido, o que torna incerta a natureza do procedimento — se investigação, pedido de medidas cautelares ou ação para proteção de prerrogativas institucionais.
Gilmar alerta para o risco prático de submeter ao Plenário uma composição heterogênea de fatos e requerimentos que exigem saneamento prévio. O ministro invoca decisões anteriores de Fachin que reconheceram conexão entre procedimentos e determinaram sobrestamento justamente para evitar decisões contraditórias e tumulto processual. Por isso, defende que a Presidência centralize os atos antes de levar a matéria a julgamento.
O pedido revela um reflexo institucional: sem clareza sobre rito e objeto, a discussão pode gerar insegurança jurídica e desgastar a imagem do tribunal. A iniciativa de Gilmar coloca pressão sobre Fachin para coordenar os processos e reduzir o risco de decisões conflitantes, e indica que parte do Supremo privilegia a cautela técnica diante de casos com efeitos políticos sensíveis. A decisão da Presidência deve definir se o julgamento seguirá agora ou será adiado para reorganização processual.