O ministro Gilmar Mendes reagiu com severidade ao vídeo em que o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema, utilizou fantoches para criticar integrantes do Supremo Tribunal Federal, e pediu investigação no âmbito do inquérito das fake news. O pedido foi remetido ao relator do caso, Alexandre de Moraes, e tramita sob sigilo, dependendo agora de manifestação da Procuradoria-Geral da República.
Na avaliação do ministro, o episódio ultrapassa o limite da sátira política e tem caráter ofensivo, sobretudo por ocorrer num momento de acirramento eleitoral. Mendes cobrou responsabilidade de agentes públicos ao se manifestarem, afirmando que provocações dessa natureza merecem análise formal no contexto das apurações sobre desinformação e ataques a instituições.
O ministro também ressaltou a dimensão ética da situação ao lembrar decisões do Supremo que beneficiaram o estado de Minas Gerais durante a gestão de Zema, como liminares que suspenderam temporariamente repasses da dívida com a União. Para Gilmar, procurar socorro na Corte e, em seguida, adotar postura hostil diante dela gera uma contradição que precisa ser examinada à luz do interesse público.
Politicamente, o episódio complica a imagem do ex-governador: ao mesmo tempo em que tenta se projetar no tabuleiro eleitoral, ele passa a lidar com potencial desgaste e risco de desgaste jurídico e reputacional. A troca de farpas entre magistrados e lideranças estaduais tende a elevar a pressão sobre aliados e a exigir revisão de estratégia por parte de Zema, que já manifestara posições duras contra ministros do STF em ocasiões anteriores.