O decano do Supremo Tribunal Federal, ministro Gilmar Mendes, requisitou ao colega Alexandre de Moraes a inclusão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema no inquérito que apura a disseminação de desinformação e ataques à Corte. A solicitação, enviada diretamente ao gabinete de Moraes, tramita em sigilo e foi revelada pela imprensa; fontes no STF confirmaram o pedido. Moraes, relator do processo, encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República para manifestação antes de decidir se aceita o pedido.
O inquérito instaurado em 2019 por Dias Toffoli tornou-se objeto constante de críticas por seu caráter aberto de ofício e pela longevidade das apurações. Integrantes do tribunal avaliam que a inclusão de Zema no mesmo procedimento é provável, mas há resistência interna: alguns ministros defendem que, se houver elementos para responsabilização, o caminho adequado seria uma ação autônoma, proposta diretamente por quem se sinta atingido — no caso, Toffoli ou o próprio Gilmar — e não necessariamente a incorporação imediata ao inquérito centralizado.
A medida foi tomada após vídeo do ex-governador em redes sociais em que ele ironiza ministros, apontando Gilmar e Toffoli como “fantoches” no episódio envolvendo o Banco Master. Zema reagiu publicamente ao notícia, afirmando que “a carapuça serviu”. Até o momento da apuração, o ex-governador não foi formalmente notificado do pedido que tramita em sigilo no Supremo.
A iniciativa provocou reação imediata no Congresso. O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto (PL-PB), classificou o pedido como um risco à liberdade de expressão e advertiu para o precedente de responsabilizar política e judicialmente declarações de ex-chefes de Executivo estadual. Parlamentares como Marcel van Hattem (Novo-RS) e o senador Rogério Marinho (PL-RN) também criticaram a medida, chamando-a de abuso e expressando solidariedade a Zema, o que amplia o custo político do movimento dentro do campo da direita.
Mais do que uma disputa pontual entre magistrados e um político, o episódio acende alerta para o equilíbrio entre combater desinformação e preservar o espaço do debate público, inclusive satírico. A aproximação do inquérito a figuras políticas intensifica a narrativa de judicialização da política e pode ampliar desgaste institucional num momento de fragilidade de confiança entre poderes. Moraes aguarda a posição da PGR, e a decisão sobre aceitar a diligência de Gilmar terá efeitos práticos sobre o limite entre responsabilização por desinformação e proteção da liberdade de opinião.