O senador Eduardo Girão (Novo), vice na chapa de Romeu Zema, vai se encontrar nesta quarta-feira com a ministra Cármen Lúcia, do STF, para pedir que ela determine a abertura do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. A iniciativa, agendada para as 16h, sucede a negativa do ministro Cristiano Zanin a um pedido liminar que exigia do Senado o andamento da CPI do Banco Master.

Girão sustenta que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tem conflito de interesse e trava a instalação de comissões que poderiam investigar parlamentares, entre eles o senador Jaques Wagner e o ministro Ciro Nogueira. A decisão de Zanin suscitou críticas na oposição: integrantes do Novo associaram o entendimento do ministro à atuação que ele teve como advogado do presidente Lula, e o senador avalia que a movimentação no STF reduz as chances de avanço no Congresso.

O deputado Carlos Viana (PSD-MG), que também participa do encontro, protocolou mandado de segurança e defende que, uma vez assegurado o funcionamento do Conselho, as representações — inclusive pedido de afastamento de Alcolumbre — sejam apreciadas sem demora, observando o devido processo legal. Paralelamente, o senador Alessandro Vieira classificou como frustrante a decisão de Zanin e anunciou que apresentará novas informações para tentar reverter o entendimento.

Politicamente, o episódio amplia desgaste para a presidência do Senado e complica a narrativa da base sobre independência institucional. A ida de Girão a Cármen Lúcia coloca pressão sobre a relatora do mandado e acende alerta sobre a capacidade do Legislativo de autorregular-se: se o STF não for instado a intervir, opositores prometem transformar a negativa judicial em argumento político de blindagem. O desfecho pode tanto reativar a disputa pelo Conselho de Ética quanto empurrar a batalha para esfera pública e eleitoral.