Quatro deputados da base governista — Pedro Uczai (PT-SC), Pedro Campos (PSB-PE), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e André Janones (Rede-MG) — se reuniram, em 4 de junho, com congressistas do Partido Democrata nos Estados Unidos e formalizaram um pedido de investigação sobre possíveis ligações financeiras entre o Banco Master, seu proprietário Daniel Vorcaro, e integrantes da família Bolsonaro. O documento, de oito páginas, foi apresentado como um compilado de informações públicas, reportagens e apurações em curso no Brasil.
No texto entregue aos parlamentares norte-americanos os brasileiros apontam linhas de investigação que envolvem empresas, fundos de investimento, escritórios de advocacia, contas bancárias e contratos sediados ou operacionalizados nos EUA — estruturas que, segundo o pedido, deveriam ser examinadas para verificar eventual ocultação de ativos, lavagem de dinheiro, financiamento político irregular ou obstrução de investigações. O dossiê cita, entre outros nomes, a Reag Investimentos e atividades atribuídas a Eduardo e Flávio Bolsonaro, sem imputar responsabilidade criminal, mas solicitando esclarecimentos sobre origem e movimentação de recursos.
O gesto tem peso político doméstico claro: ao internacionalizar suspeitas, a oposição busca ampliar escrutínio e pressionar o campo adversário num momento em que desgaste e narrativa pública contam para a corrida de 2026. No plano prático, contudo, a probabilidade de abertura formal de investigação nos EUA é remota. A maioria republicana nas duas casas do Congresso e o perfil das comissões legislativas tornam improvável que o pedido prospere; mesmo a mobilização de democratas dependeria de encaminhamento ao Departamento de Justiça, que segue critérios próprios e históricos de atuação.
Em Brasília, a iniciativa cria duplo efeito: reforça a agenda de desgaste político em torno da família Bolsonaro e força uma reação pública do entorno do banco e dos investigados, ainda que a ação possa ter alcance simbólico mais do que operacional. O apoio declaratório de congressistas como Jim McGovern — que manifestou preocupação e interesse em manter diálogo, mas sem poder de abrir investigação independentes — ilustra o limite entre solidariedade política e capacidade de ação. Resta acompanhar se o material produzirá desdobramentos em investigações brasileiras ou motivará novos pedidos de cooperação internacional, e como esse movimento será explorado pela disputa eleitoral e pela mídia.