A disputa pelo fim da escala 6x1 ganhou novo capítulo nesta sexta (17/4). Enquanto o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), trabalha para acelerar uma PEC, o Planalto aposta num projeto de lei — considerado mais viável politicamente por demandar quórum simples e permitir tramitação mais rápida.
O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (PT-SC), disse ao Correio que a base não descarta a PEC, mas reconhece limites práticos: uma emenda constitucional para reduzir jornada a 36 horas, por exemplo, enfrenta resistência suficiente para não prosperar na atual conjuntura. O Palácio, então, formula texto alternativo para reduzir de 44 para 40 horas e transformar a escala 6x1 em 5x2, sem corte salarial, aposta que aponta para uma ofensiva pragmática.
A diferença não é apenas técnica. A PEC exige quórum qualificado e trâmites longos; o PL passa com maioria simples e ainda permite ajustes via veto presidencial — mecanismo inexistente nas mudanças constitucionais. A declaração de urgência de 45 dias e a contagem de sessões para votar a admissibilidade mostram que o governo tenta pressionar calendário e forçar solução rápida já em maio.
A estratégia traz vantagens e riscos: agiliza entrega política para o eleitor e reduz o custo imediato de negociação, mas pode expor o governo a críticas se a proposta for percebida como insuficiente ou se aliados não garantirem votos. Uczai também deixou claros pontos inegociáveis da base — jornada de 40 horas, escala 5x2, manutenção de salários e rejeição a desonerações como compensação — limites que vão moldar o diálogo fiscal e parlamentar nas próximas semanas.