O governo federal convocou o embaixador do Brasil em Buenos Aires, Julio Bitelli, para prestar consultas ao Itamaraty a respeito das ofensas proferidas pelo presidente argentino Javier Milei na convenção do PL. Segundo a chancelaria, Bitelli deve chegar ao país entre a noite de domingo (26/7) e a madrugada de segunda (27/7). A decisão foi confirmada ao Correio pelo Itamaraty.
As declarações de Milei — que chamou o ministro do STF Alexandre de Moraes de “lixo calvo” e descreveu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva como “ladrão” — já haviam provocado desconforto no Executivo e no Judiciário brasileiro. O presidente do STF, Edson Fachin, divulgou nota de repúdio, e o ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Guimarães, também criticou os episódios.
Interlocutores do Planalto afirmam que, dependendo das explicações que Bitelli trouxer às consultas, o governo poderá avaliar outras medidas. A convocação do embaixador é, por si só, um sinal de que Brasília trata o episódio como assunto de Estado e não apenas de retórica política, abrindo caminho para respostas diplomáticas formais caso as justificativas sejam insuficientes.
Além do impacto imediato nas relações bilaterais, o caso expõe uma tensão entre a liberdade de expressão de líderes estrangeiros e a preservação de protocolos diplomáticos que resguardam a civilidade entre Estados. O episódio transforma a fala de Milei em um teste para o Itamaraty: as explicações de Bitelli deverão orientar os próximos passos do governo, entre o arrefecimento da crise e medidas que possam repercutir politicamente em Brasília.