O Ministério da Justiça e Segurança Pública e o Ministério da Fazenda intensificaram a ofensiva contra a oferta de apostas irregulares na internet: foram solicitadas a derrubada de 5.209 domínios relacionados à exploração ilegal do setor. Do total, 1.386 domínios foram indicados pela Secretaria Nacional de Direitos Digitais (Sedigi) e 3.823 pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). A Anatel já determinou a retirada de 2.387 endereços.

A mobilização atingiu também o ambiente das redes sociais e lojas de aplicativo. No Telegram, as ações alcançaram 1.014.722 membros de canais, grupos e perfis ligados a apostas; e 186 aplicativos receberam notificações para remoção das lojas da Apple e do Google até 6 de outubro. A Polícia Federal mantém investigação criminal sobre organizações que atuam no mercado irregular, com enfoque em lavagem de dinheiro e outros crimes conexos.

No plano repressivo, a PF relata 12 operações entre março de 2023 e agosto de 2026 — entre elas Narco Bet, Dark Bet, Véu de Maia, Última Aposta e Arena — com pelo menos 73 mandados de busca e apreensão e 15 de prisão. Nos casos em que houve registro de valores, pedidos de sequestro de bens e recursos somam cerca de R$ 4,17 bilhões. Os números mostram que a ação é continuada e de alta complexidade, envolvendo diferentes frentes do aparato estatal.

A ofensiva conjunta acende alerta sobre a dimensão do mercado ilegal e amplia pressão sobre plataformas digitais e provedores de hospedagem. Ao mesmo tempo, deixa claro que derrubadas pontuais e notificações precisam vir acompanhadas de capacidade de responsabilização e recuperação de ativos para produzir efeito duradouro. Politicamente, a operação dá ao governo um sinal de atuação, mas o grau de efetividade e a continuidade das medidas vão determinar se a iniciativa se traduz em resultado prático ou em ação de impacto limitado.