Um acordo costurado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os presidentes das duas Casas, Davi Alcolumbre (Senado) e Hugo Motta (Câmara), garantiu ao governo relatores alinhados nas matérias que o Planalto considera prioritárias para a semana de esforço concentrado. Entram na lista as PECs do fim da escala 6 x 1 e da Segurança Pública, projetos sobre minerais críticos e o Redata, além da medida provisória que zerou a alíquota sobre compras internacionais — a chamada taxa das blusinhas.

O senador Omar Aziz (PSD-AM) já entregou parecer pela manutenção do texto encaminhado pela Câmara sobre a PEC da 6 x 1, rejeitando as emendas apresentadas. A estratégia oficial é acelerar o rito legislativo: qualquer alteração exigiria devolução ao plenário da Câmara. O relatório de Aziz deve abrir a pauta da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) na próxima quarta-feira, numa tentativa de destravar tema que estava parado por desgaste entre Lula e Alcolumbre.

A tramitação ainda enfrenta resistência da oposição, que busca postergar votações por meio de pedidos de vista. A duração desses pedidos fica a critério do presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), aliado do governo, o que reduz o risco de longa paralisação. Mesmo assim, a aprovação final no Senado exige quóruns elevados — 14 votos na CCJ e 49 no plenário em cada turno — o que mantém a pauta dependente de articulação ampla e da disciplina da base.

A PEC da Segurança Pública foi entregue ao relator Rogério Carvalho (PT-SE), que também rejeitou emendas e pretende seguir o texto aprovado na Câmara. A MP que suspende a cobrança sobre compras internacionais ficará sob relatoria da senadora Leila do Vôlei (PDT-DF), indicação anunciada pelo deputado Reginaldo Lopes, presidente da comissão mista. A medida precisa ser votada em comissão e nos plenários até 8 de setembro para manter a tributação zerada — motivo para que o governo a trate como prioridade de alto apelo popular.

Politicamente, a operação tem duplo objetivo: destravar pautas que podem ser transformadas em trunfos eleitorais e evitar que votações fiquem para depois do pleito, momento em que perderiam valor político. A pressa aumenta a pressão sobre presidentes de comissões e relatores e exige que a base mantenha coesão num período de agenda apertada. O desfecho nas próximas sessões será termômetro tanto da capacidade de articulação do governo quanto do desgaste que a disputa poderá gerar entre aliados e adversários.