O governo federal publicou nesta semana a exoneração de 16 ministros que se desincompatibilizam para disputar as eleições de outubro. As saídas ocorreram até sexta-feira, um dia antes do término do prazo legal. Entre os últimos a pedir exoneração estiveram o vice-presidente Geraldo Alckmin, que deixava também o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e a deputada Gleisi Hoffmann, à frente da Secretaria de Relações Institucionais.
Os movimentos no gabinete não se limitaram a essas duas saídas. Rui Costa (Casa Civil) e Jader Filho (Cidades) entregaram as pastas dias antes para concorrer, assim como Márcio França (Empreendedorismo). Antes, em 20 de março, Fernando Haddad deixou o Ministério da Fazenda para disputar o governo de São Paulo. A maioria dos cargos vagos foi ocupada por secretários-executivos, mantendo a linha administrativa das pastas.
Saio agradecido pela confiança e pelo trabalho da equipe; cumpri a missão com orgulho e compromisso.
Houve também remanejamento ministerial: André de Paula deixou a Pesca e Aquicultura para assumir a Agricultura e Pecuária no lugar de Carlos Fávaro. Na Pesca, o então secretário-executivo Rivetla Edipo Araujo Cruz foi elevado ao posto, exemplo claro da opção do Planalto por continuidade técnica em vez de escolhas externas.
Do ponto de vista político, a operação tem dupla leitura. Subir secretários-executivos garante rotina e reduz ruptura administrativa no curto prazo, mas a saída de titulares com trânsito político e presença pública pode enfraquecer a capacidade de articulação do governo nas semanas que antecedem a campanha. A rotatividade ministerial acende um sinal sobre a necessidade de equilibrar gestão e jogo eleitoral.
A movimentação também reflete cálculo eleitoral das legendas e dos próprios ocupantes das pastas. Para o Executivo, o desafio agora é manter entrega de políticas públicas com equipes internas enquanto administra o custo político das partidas, preservando coesão com vistas à campanha nacional.
Trabalhamos diariamente para retomar a prioridade da moradia digna; a missão segue, agora em outra frente.