O governo federal decidiu mirar cargos do segundo e terceiro escalão para punir o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), depois da derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. Segundo interlocutores do PT, Alcolumbre teve papel central na reprovação de Messias — que ocorreu por 42 votos — e foi classificado por aliados do Planalto como um “traidor” no processo da sabatina.

A retaliação, na prática, deve atingir nomeações em empresas públicas e órgãos como a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) e o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs). Fontes governistas dizem que a limpa deve evitar o primeiro escalão: ministros que receberam o aval do presidente do Senado, como os titulares das Comunicações, Integração e Turismo, tendem a ser poupados para não ferir a aliança política no curto prazo.

A opção por mirar em cargos inferiores reflete a tentativa de equilibrar punição e governabilidade. Prova disso foi o encontro do ministro da Defesa, José Múcio, com Alcolumbre na quarta‑feira (6/5): segundo auxiliares, a agenda serviu para apaziguar a relação entre o Planalto e o presidente do Senado, restabelecer canais de diálogo e preservar apoio em votações futuras. Múcio, que se mostrou próximo a Messias, atuou como interlocutor diante do episódio.

Politicamente, a medida tem efeitos claros: sinaliza que a reprovação terá custo e acende um alerta para líderes que questionem as indicações do Executivo. Ao mesmo tempo, a retaliação seletiva tende a ampliar desgaste entre Planalto e União Brasil sem romper formalmente as costuras de governabilidade. Resta ver se a punição em cargos de segundo e terceiro escalão será suficiente para conter a tensão nas pautas sensíveis do Congresso nas próximas semanas.