O Palácio do Planalto definiu um roteiro objetivo para as últimas semanas antes do recesso: aprovar a PEC da Segurança, iniciar e avançar na PEC da tarifa zero e votar a MP que proíbe apostas on-line. Além dessas medidas, a equipe governista também tem no radar a tramitação do Orçamento de 2027. A urgência é prática: a MP das bets tem prazo legal que exige aprovação até 23 de novembro para não perder efeito, e a janela no calendário legislativo é curta.

O andamento de cada proposta, porém, apresenta obstáculos distintos. A proposta sobre segurança está parada no Senado depois de um impasse envolvendo a tentativa de incluir redução da maioridade penal — movimento rejeitado oficialmente pelo PT e pelos líderes do governo na Câmara. A resistência interna e o desgaste político em torno do tema impediram a votação antes do segundo turno e mantêm a matéria em compasso de espera. Para o governo, a aprovação é estratégica: permitiria ao Executivo avançar na criação do novo Ministério da Segurança Pública, uma promessa com impacto institucional.

Na outra ponta, a PEC da tarifa zero ainda precisa sequer iniciar a tramitação formal no Congresso — passando por CCJ, comissão especial e plenários. A expectativa oficial é concluir a Câmara até o fim de novembro e levar o texto ao Senado em dezembro, mas esse cronograma depende de acordos com as mesas diretoras e de capacidade de articulação para evitar obstruções. A combinação de prazos curtos e etapas procedimentais torna o plano suscetível a atrasos, o que acende alerta sobre a viabilidade de aprovar tudo antes do recesso.

O fator político mais sensível é a proposta de ampliar a base de sustentação com partidos do Centrão. O ministro responsável pela articulação pediu fidelidade dos aliados às votações, reclamando que quem ocupa cargos no governo precisa votar a favor das pautas. Lideranças como o presidente do PSD, no entanto, afirmam manter autonomia dos parlamentares, o que indica tensão entre entrega de cargos e disciplina na Câmara e no Senado. Esse jogo revela um dilema para o Planalto: contar com o apoio ampliado reduz o custo de negociar maioria, mas amplia o risco de contradições públicas e desgaste caso aliados recuem nas votações cruciais. Enquanto isso, a reforma do Judiciário foi colocada em segundo plano, sinalizando que a prioridade é converter articulação em resultados concretos para evitar perda de agenda e de capital político.