O governo federal afirmou nesta sexta-feira (7) não ter fechado acordo com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para destravar a tramitação da PEC que extingue a escala de trabalho 6x1. O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, declarou que a proposta é a prioridade legislativa do Executivo para o segundo semestre e que esforços serão concentrados no Congresso durante as duas semanas de atividade antes das eleições, com o objetivo explícito de acelerar a análise no Senado.
A PEC permanece parada na Casa há pouco mais de dois meses, depois de aprovada em dois turnos na Câmara, em 27 de maio. O texto prevê adoção imediata da escala 5x2, redução da jornada semanal de 44 para 42 horas e posterior transição para 40 horas. Segundo Boulos, adiar a votação pós-eleições abriria espaço para mudanças no Senado — como alongamento do período de transição, mecanismos de compensação para empregadores ou até risco de perda salarial —, o que, segundo o ministro, justifica a pressa do Executivo.
A declaração ocorre após o reencontro entre Lula e Alcolumbre em um jantar do ministro Alexandre de Moraes, que retomou o diálogo entre os dois. Ainda assim, o governo diz não ter acordo fechado e responsabilizou o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, por tentar postergar a votação. Boulos anunciou também mobilizações de centrais sindicais e movimentos populares em capitais na segunda-feira (10), como elemento de pressão sobre parlamentares. A expectativa oficial é que Alcolumbre encaminhe a proposta à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para indicação de relator e posterior análise em plenário.
A pressão aberta do Executivo revela um cálculo político: levar a proposta a voto antes do pleito busca aproveitar repercussão entre trabalhadores e reduzir espaço para alterações no Senado. Mas a estratégia também arrisca elevar o custo político do governo junto ao Congresso, em especial com setores do centrão que podem ver perda de margem de negociação. A insistência em vetar mudanças no conteúdo aprovado pela Câmara transforma a tramitação em teste para a capacidade de articulação do Executivo e pode complicar a narrativa governista caso a proposta volte ao impasse.