O governo publicou no Diário Oficial as instruções normativas que estendem a terceirizados o reembolso‑creche e reduzem a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A IN n.º 147/2026 prevê o reembolso de R$ 526,64 por dependente menor de seis anos — o mesmo valor pago a servidores federais — e deve alcançar mais de 14 mil crianças, segundo o Ministério da Gestão e Inovação (MGI).

A IN n.º 148/2026 autoriza a diminuição da jornada sem redução salarial e, na avaliação do MGI, pode beneficiar até 60 mil trabalhadores. A medida dá sequência a uma ação iniciada em 2024, quando 12 categorias foram contempladas em fases anteriores, atingindo cerca de 20 mil pessoas. Permanecem excluídos apenas regimes de revezamento 12×36 e 24×72.

A paridade do valor do auxílio com o dos servidores federais tem efeito simbólico e prático: reconhece direitos básicos a terceirizados, mas também abre questão sobre o impacto orçamentário e operacional. O resumo divulgado não detalha fontes de custeio nem mecanismos de fiscalização da aplicação, o que deixa espaço para disputas entre órgãos públicos e contratados sobre a adequação de contratos e a eventual necessidade de reajustes nas contrapartidas.

Politicamente, a medida tende a recompor parte da base social dos trabalhadores terceirizados e a reduzir resistências pontuais, mas testa a capacidade do governo de conciliar concessões sociais com disciplina fiscal. O resultado dependerá da clareza das regras de execução, da fiscalização e do ajuste financeiro entre administrações públicas e empresas contratadas — fatores que definirão se a iniciativa se traduz em ganho real ou em pressão adicional sobre orçamentos e contratos.