O governo federal anunciou um pacote de R$ 1,335 bilhão para mitigar os efeitos esperados do El Niño nos próximos meses. Coordenado pela Sala de Situação do El Niño — que reúne 24 ministérios e órgãos — o plano combina medidas de resposta imediata e ações preventivas, apoiadas por dados do Cemaden, Inmet, ANA, SGB, Defesa Civil Nacional e Inpe.
Do total, R$ 998 milhões serão aplicados em segurança alimentar, saúde e monitoramento hidrológico; outros R$ 337 milhões constam como crédito extraordinário autorizado pela MP 1.367/2026 para fiscalização ambiental e prevenção e combate a incêndios. A maior fatia para estoques públicos destina R$ 850 milhões à compra de milho e arroz; há ainda recursos para cestas básicas, PAA e apoio a agricultores da Região Norte.
O pacote também prevê R$ 45 milhões para Centros de Informação em Saúde e ForSUS, R$ 25 milhões para monitoramento dos níveis dos rios e R$ 337 milhões para mobilização e equipamentos de enfrentamento de queimadas. O governo ressalta que as medidas serão ajustadas conforme monitoramento contínuo das condições climáticas e logísticas das cadeias de suprimento.
Apesar do volume anunciado, a iniciativa acende alerta sobre o equilíbrio entre respostas emergenciais e investimentos estruturais. Há recursos recentes direcionados a prevenção desde 2023 — incluindo R$ 521 milhões do Fundo Amazônia, R$ 8,9 bilhões para Defesa Civil e programas do Novo PAC —, mas a concentração em estoques e operações pontuais pode não reduzir vulnerabilidades de longo prazo em segurança hídrica e infraestrutura.