O governo federal apresentou nesta quarta-feira um panorama dos riscos associados à chegada do El Niño e informou que trabalha com elevada probabilidade de confirmação do fenômeno, com chance significativa de intensidade forte. Em reunião ministerial convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, disse que os estudos conduzidos por técnicos e ministérios revelam efeitos distintos por região e janelas de maior exposição entre os próximos meses.

No Norte e no Nordeste, o quadro desenhado pelo Executivo é de estiagem: redução do acesso à água para consumo e produção, queda na vazão dos rios que prejudica a navegabilidade, maior risco de incêndios e possibilidade de isolamento de comunidades. A ministra citou preocupação específica com áreas agrícolas, como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), onde a seca pode comprometer safras e renda local entre agosto e dezembro.

Já o Centro-Oeste e o Sudeste devem conviver com atrasos nas precipitações, o que eleva o risco de queimadas e traz prejuízos às áreas produtivas — com maior intensidade esperada entre julho e outubro. No Sudeste, o governo também aponta potencial para ondas de calor expressivas entre setembro e dezembro. No Sul, por sua vez, a tendência é de chuvas acima da média, aumentando a probabilidade de enchentes e deslizamentos entre julho e dezembro.

Como medidas de resposta, o Palácio diz articular ministérios e especialistas, além de ampliar o efetivo de combate: hoje são apontados mais de 4.400 brigadistas do Ibama e do ICMBio treinados e equipados. O anúncio, entretanto, deixa em aberto questões centrais: se o reforço é suficiente para responder simultaneamente a incêndios, crises hídricas e eventos extremos; como serão coordenadas ações com estados e municípios; e qual o impacto fiscal de medidas emergenciais. O quadro aponta para custos logísticos e agrícolas reais, além de risco de impacto em abastecimento e preços, exigindo respostas rápidas e bem financiadas para evitar desgaste político e prejuízos socioeconômicos.