O governo federal anunciou nesta segunda-feira, no pacote Novo Desenrola, a redução da margem consignável para empréstimos do INSS e do funcionalismo público de 45% para 40%. A queda será gradual: 2 pontos percentuais por ano até atingir 30%, medida que, segundo a Casa Civil, busca frear o endividamento das famílias.
Além do corte da margem, o Executivo extingue a margem exclusiva de 10% vinculada a cartão consignado e benefícios (antes dividida em 5% e 5%). O prazo máximo para operações do consignado do INSS sobe de 96 para 108 meses, com carência de até 90 dias. No consignado do servidor, o prazo aumenta para 120 meses e a carência pode chegar a 120 dias.
A mudança é técnica, mas tem efeitos políticos e econômicos claros. Reduzir a margem limita a capacidade de tomada de crédito imediata, o que tende a moderar o endividamento, mas o alongamento dos prazos pode elevar o custo total do financiamento e prolongar compromissos de renda. Há risco de queda no consumo e de migração para linhas mais caras fora do consignado, ponto que pode neutralizar parte do benefício pretendido.
Politicamente, a proposta acende alerta para aposentados e servidores, grupos sensíveis a perda de poder de compra e a qualquer restrição no acesso a crédito. O governo aposta na narrativa de responsabilidade e na renegociação de dívidas; cabe agora demonstrar resultados concretos para justificar o custo político da medida e evitar reação negativa entre a base e setores do serviço público.