O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima informou nesta sexta-feira que reforçou as ações de monitoramento ante a perspectiva de um novo episódio de El Nino. Segundo o ministro João Paulo Ribeiro Capobianco, houve aumento do número de aeronaves e de equipamentos destinados à prevenção e combate a incêndios, além de aporte superior a meio bilhão de reais aos corpos de bombeiros dos estados mais afetados.

O governo baseia-se em projeções internacionais que apontam para aquecimento das águas do Pacífico Equatorial — o motor do fenômeno — e para um impacto desigual sobre o país: a combinação pode tanto provocar secas extremas e maior risco de incêndios quanto gerar episódios de chuvas intensas. O último El Nino, em 2023 e 2024, coincidiu com os dois anos mais quentes já registrados, o que reforça a preocupação sobre a intensidade dos efeitos climáticos.

A ação federal de reforço logístico e financeira responde a riscos reais à segurança pública, à agricultura e ao equilíbrio hídrico em regiões sensíveis. Mas a mensagem do ministério expõe uma tensão política: ao mesmo tempo em que anuncia liderança na chamada transição energética e medidas de adaptação, o Executivo autorizou estudos da Petrobras na margem equatorial — um movimento que, se resultar em exploração, o governo diz que financiará parte da transição.

A justaposição entre estímulo a pesquisas de petróleo e a ênfase em biocombustíveis e eletrificação levanta questões sobre prioridades e coerência de políticas. Para além do esforço imediato de prevenção, o episódio acende alerta sobre a necessidade de estratégia nacional de longo prazo — que combine monitoramento climático, gestão de risco, apoio a estados e metas claras de redução de vulnerabilidade sem virar dependência de recursos de fontes fósseis.