A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), intensificou nos últimos dias a articulação para tentar destravar a tramitação da proposta de emenda à Constituição que extingue a escala de trabalho 6x1 antes do recesso parlamentar. A iniciativa da base visa levar a matéria diretamente à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e acelerar o percurso legislativo, mas o próprio governo considera o avanço improvável nas próximas sessões.
A PEC, aprovada na Câmara dos Deputados, trouxe alívio a setores favoráveis à alteração da jornada, mas desde a chegada ao Senado o texto encontrou um caminho mais tortuoso. A definição sobre a pauta ficou concentrada em torno de uma decisão de Davi Alcolumbre (União-AP), cuja posição condiciona a inclusão da proposta na agenda da CCJ. Com o calendário apertado para o recesso, a janela para votação se fechou rapidamente.
Na avaliação de parlamentares da base, há dificuldade de montar quórum e costurar acordos que garantam tramitação célere, sobretudo diante de resistências pontuais e da complexidade constitucional da mudança. O esforço final de articulação do governo revela tanto a prioridade atribuída ao tema quanto a limitação política da bancada para impor um rito acelerado no Senado. A leitura predominante é de que, se a proposta não for pautada antes do recesso, o ritmo de tramitação ficará para o segundo semestre, com risco de esmorecimento.
Politicamente, a situação acende alerta para o Palácio do Planalto: tentar forçar a pauta e fracassar pode ampliar desgaste e gerar custo político entre aliados e setores mobilizados em torno da causa. Ao mesmo tempo, postergar a decisão mantém a incerteza institucional e coloca a base diante da necessidade de recalibrar estratégia para 2025. Em resumo, a ofensiva final reflete urgência governista, mas também expõe limitação de capacidade de articulação no Senado diante de prazos e resistência.