A disputa pelo Palácio do Buriti começou com o escândalo envolvendo o BRB e o Banco Master no centro do debate entre pré-candidatos. Em evento partidário, Ricardo Cappelli (PSB) e Leandro Grass (PT) ligaram o caso à gestão local, cobraram responsabilização de envolvidos e bateram na tecla da unidade política como caminho para 2026. A leitura pública do episódio, na avaliação deles, altera o terreno eleitoral.

Cappelli colocou o episódio como elemento que mudou a percepção da população sobre o governo distrital e pode baratear a narrativa oficial. Segundo o pré-candidato, o avanço das apurações tende a trazer novos desdobramentos; ele disse confiar no trabalho da Polícia Federal e do Judiciário e aposta que revelações futuras alimentarão a disputa. A declaração sublinha uma estratégia de explorar desgaste e transformar investigação em argumento eleitoral.

Grass foi além ao vincular a crise bancária ao grupo político que está à frente de Brasília nos últimos anos. Para o petista, trata‑se de um banco fragilizado e de uma crise de credibilidade que exige propostas, não só denúncias. Ele apresentou compromissos para recuperar o BRB no médio e longo prazo e para reorganizar as contas públicas, ao mesmo tempo em que detalhou negociações para uma frente ampla — incluindo diálogo com PDT, PSOL, Rede e o desejo de incorporar o PSB à federação PT/PV/PCdoB.

O tom conjunto dos pré-candidatos joga o caso para além do painel jurídico e transforma o episódio em instrumento de pressão política: acende alerta sobre governabilidade e amplia desgaste do grupo incumbente, ao mesmo tempo que complica a narrativa de normalidade do Executivo local. Se as investigações mantiverem seu curso nas próximas semanas, esse tema tende a influenciar alianças, discursos e comportamento do eleitorado no Distrito Federal, forçando respostas concretas sobre gestão e transparência.