O candidato à Presidência Wilson Grassi (Partido Democrata) apresentou ao TSE o programa de governo 'Brasil em Primeiro Lugar', documento de 58 páginas dividido em 14 eixos e com cronograma para os primeiros 100 dias. Entre as medidas de maior impacto político estão a criação do Imposto Único Federal (IUF) sobre movimentações bancárias, a isenção do IRPF para quem ganha até cinco salários mínimos (R$ 8.105) e o fim da tributação sobre o emprego, com extinção da contribuição patronal sobre a folha.

A proposta do IUF — um tributo único automático que substituiria nove impostos federais sobre folha, faturamento e produção — concentra o nó técnico e político do plano. A alteração exigiria ampla reforma tributária, avaliações sobre arrecadação e redistribuição de receitas e negociação intensa no Congresso. A promessa de desoneração da folha e a isenção do IRPF têm apelo eleitoral, mas levantam interrogações sobre compensação de receitas e efeitos sobre a responsabilidade fiscal anunciada pelo candidato.

No capítulo de segurança, o programa defende expansão de penitenciárias federais de segurança máxima para lideranças criminosas, bloqueio efetivo de sinais telefônicos e integração de inteligência financeira para confisco de bens. Grassi propõe ainda um plebiscito para decidir a adoção de um modelo de confinamento em larga escala, inspirado em experiências como a de El Salvador, 'sem supressão de garantias individuais', segundo o texto. A combinação de medidas promete repercussão jurídica e debatida constitucionalmente, além de exigência de capacidade operacional e orçamento para execução.

O plano também avança em áreas como saúde — propondo a unificação das saúdes humana, animal e ambiental — educação com condicionalidade de alfabetização, PEC para transformar pesquisadores bolsistas em servidores e programas de habitação e logística (Brasil nos Trilhos). Politicamente, o documento oferece propostas claras para discurso de campanha, mas sua implementação depende de articulação parlamentar, avaliações fiscais e possíveis contestações judiciais. Para o candidato, transformar propostas em leis exigirá convicção técnica e disposição para negociação com o Congresso.