O governo de Donald Trump concedeu nesta segunda-feira (20/7) o green card a Eduardo Bolsonaro, documento que garante residência permanente nos Estados Unidos e foi estendido à esposa e aos filhos. A aprovação ocorre pouco mais de um mês depois da condenação do ex-deputado pelo Supremo Tribunal Federal a 4 anos e 2 meses de prisão pelo crime de coação. O pedido de residência havia sido protocolado há mais de um ano; Eduardo mora nos EUA desde fevereiro de 2025, quando se licenciou do mandato para atuar na articulação internacional em defesa do pai, após o indiciamento de Jair Bolsonaro pela Polícia Federal.
Instalado em Washington, Eduardo tornou-se presença frequente na Casa Branca e em eventos ligados ao movimento MAGA, aproximando-se de nomes como Marco Rubio e Scott Bessent. Publicamente, pressionou por sanções contra o ministro Alexandre de Moraes e defendeu a aplicação da Lei Magnitsky — iniciativas que produziram medidas concretas: tarifas sobre produtos brasileiros e a cassação de visto e sanções contra o próprio Moraes. Essa atuação foi citada pelo relator como elemento da condenação; o ex-deputado nega ter cometido irregularidades.
Além de ampliar direitos e reduzir a dependência de vistos temporários, o green card tem efeito prático na estratégia de defesa da família Bolsonaro: consolida um canal privilegiado em Washington e amplia a proteção jurídica do ex-parlamentar. O episódio acende alerta sobre a blindagem política e diplomática que vem sendo construída desde a aproximação entre Jair Bolsonaro e Trump, formalizada ainda em 2019 e celebrizada por episódios públicos de afinidade entre os líderes.
Politicamente, a concessão reforça a narrativa de resistência do clã e complica a percepção de prestação de contas: enquanto apoiadores veem uma vitória diplomática, críticos apontam que instrumentos externos estão sendo empregados para pressionar autoridades brasileiras. Para o sistema judiciário e para a diplomacia, trata-se de um desafio que mistura vantagem estratégica, custo político e perguntas sobre os limites entre defesa política e atuação no exterior.