O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) divulgou posicionamento ao Correio em que nega qualquer responsabilidade operacional ou administrativa sobre a segurança do ex‑presidente Jair Bolsonaro e sobre o militar flagrado com uma arma registrada em nome do ex‑chefe do Executivo. Na nota, o órgão deixou claro que os veículos usados na escolta não fazem parte da frota do GSI.

O esclarecimento cita a Lei nº 7.474/1986 e o Decreto nº 6.381/2008 para justificar que os servidores à disposição de ex‑presidentes são de indicação livre destes e não estão subordinados ao gabinete. Segundo o GSI, sua atribuição se limita a oferecer capacitação e avaliação aos profissionais que compõem as equipes, conforme a Portaria GSI/PR nº 136, de 20 de setembro de 2024.

A investigação tem como objeto a apreensão, em 15 de junho, de uma pistola Glock 9 mm registrada em nome de Bolsonaro, encontrada com o militar Estácio Leite da Silva em uma blitz da Lei Seca em Taguatinga. A arma foi recolhida porque o Certificado de Registro de Arma de Fogo (Craf) não foi apresentado no transporte. O ex‑presidente prestou depoimento à Polícia Civil do DF em 23 de junho, em diligência que durou apenas cinco minutos.

A defesa argumentou que a arma estava inoperante após a retirada do percussor pela equipe de segurança e invocou o uso de medicamentos psiquiátricos pelo ex‑presidente, além de citar episódio de novembro de 2025 envolvendo tentativa de remoção de tornozeleira eletrônica. O episódio ocorre no fechamento do prazo dos 90 dias de prisão domiciliar humanitária concedida a Bolsonaro, e o posicionamento do GSI reduz a exposição institucional, mas desloca para a equipe indicada pelo ex‑presidente o foco sobre responsabilizações e procedimentos operacionais enquanto a investigação prossegue.